Filhos? Não, obrigada.
17:04
Ultimamente, tenho sido
surpreendida por uma pergunta não muito sensata das pessoas ao meu redor... “Olivia,
porque você não tem um filho?”
Bem, eu não sei se a
pergunta se dá pelo fato de eu estar quase atingindo os meus 29 anos e desta
forma, estar ‘’vencendo o meu prazo’’ perante as normas da sociedade ou se por
apenas as pessoas não suportarem me ver feliz sozinha e assim, acharem que
preciso ter uma companhia. Contudo, o problema aqui é que, ao escutarem minha
resposta muitos se chocam: Filhos? Não,
obrigada. É claramente perceptível o espanto das pessoas a partir daí, pareço
nitidamente ter praticado um pecado mortal ou crime hediondo ao dizer isto.
Negar algo tão sublime e divino? Mas como eu ouso?
Por favor, vamos
inverter agora.
Como o mundo ousa me
impor goela abaixo a função maternal, apenas por eu poder gerar um neném? Na
realidade, é como impor aos pássaros que caminhem unicamente por terem patas. Ter
a condição não significa a obrigação de se realizar o ato.
Hoje, inúmeras mulheres
já se deram conta de que ser mãe não é um objetivo verdadeiro e tão só, por verbalizarem
esta verdade, seguem sendo julgadas e apontadas ─ inclusive por diversos homens, que do alto de seus privilégios
existenciais, se sentem ainda no direito de exigir um filho de nós.
A falácia ainda
se reverbera, sem um desejo íntimo de constituir uma família, a mulher não tem
serventia para a coletividade, afinal, no fim, ela irá acabar velha, sozinha e cheia
de gatos.
Que trágico, não? Não.
Muito mais trágico
seria que essas mulheres fizessem algo a contragosto, único e exclusivamente para satisfazer uma
ambição social, que certamente irá reprová-las por ser uma péssima mãe depois ─ e
tudo isso levando em consideração que esta cobrança materna se mostra tão fácil
quanto respirar. Não se fala aqui da dependência eterna que este novo ser no
mundo terá de sua progenitora, dos gastos e responsabilidades diárias que a
mesma precisará se dispor, sem nem mesmo saber se de fato tem aptidão para tal.
Essas várias mulheres estão
a raciocinar bem mais, que aquilo que as influenciam de praxe.
Para mim, este
planetoide já teve a sua cota. Acho que dá pra passar a minha vez.
Ah! E só mais um adendo: Não! Eu não odeio crianças, apenas eu não quero ter uma.
Quem quiser me dar um
gato, estarei aceitando de presente.

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